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quarta-feira, 31 de março de 2010


Já se vai o sol embora

Já se vai o sol embora
Vai para trás daquele outeiro,
A tristeza é do amo,
E a alegria é do obreiro.

Já se vai o sol embora
Lá para trás daquela serra,
Faxinha leva vermelha,
Que lha dera a Madalena.

Madalena vai descalça,
Vestidinha de burel,
Vai levar a s boas novas,
Ao divino Emanuel.

Madalena vai descalça,
Vestidinha de trovisco,
Vai levar as boas novas,
Ao divino São Francisco.

Já se vai o sol embora
Lá por trás do cabecinho,
Bem quisera o nosso amo
Prende-lo com um baracinho.
Sei que andas mal comigo

Tenho tosse no cabelo,
Dor de dentes no cachaço,
Ai, ai, ai,
Amargam-me as sobrancelhas,
Ai, ai, ai,
Não vejo nada de um braço.

Sei que andas de mal comigo,
Por causa das embrulhadas,
Ai, ai, ai,
Se tens dor de cotovelos,
Ai, ai, ai,
Deita-lhe ortigas pisadas.

Ó meu amor se quiseres,
Vestir camisa lavada,
Ai, ai, ai,
Paga a tua lavadeira,
Ai, ai, ai,
Que eu não sou tua criada.

Eu já vi um gato a ler

Eu já vi um gato a ler,
E uma pulga a dar lição,
Ai, ai, ai,
Nas costas de uma formiga,
Ouvi tocar violão.
Eu já vi um gato a ler,
E uma pulga a dar escola,
Ai, ai, ai,
Nas costas de uma formiga,
Formou-se um jogo de roda.
Eu já vi um gato a ler,
E uma pulga a bailar,
Ai, ai, ai,
Nas costas de uma formiga,
Ai, ai, ai,
Vi um barco a navegar.
Um gato e uma pulga,
Dançaram o rock in roll
Ai, ai, ai,
Nas costas de uma formiga,
Ai, ai, ai,
Já vi jogar futebol.
BORRALHA

Olha a borralha,
Onde a água sobe e desce,
Nem a água sobe e desce,
Nem o meu amor me esquece.

Olha a borralha,
Tem varandas ao comprido,
Quem não sabe namorar,
Venha cá falar comigo.

Olha a borralha,
Que tem varandas ao redor,
Quem não sabe namorar,
Vá falar com o meu amor.

Olha a borralha,
Onde a água faz romanço,
Desde que vi os teus olhos
Nunca mais tive descanso.
Já não sou o teu amor…

Já não te quero beijar,
Já não sou o teu amor,
Foste-te a outro juntar,
Já não quero o teu calor.

Diz-me qual a razão,
Porque te esqueces-te de mim,
Dizias que não tinha fim,
O laço desta prisão,
Tiraste-me do coração,
Puses-te outro em meu lugar,
Eu tenho de me vingar,
Dessa tua crueldade,
Na flor da minha idade,
Já não te quero beijar.

Quando ias passear,
Parecias uma santinha,
Que não havia outra igual,
Agora portas-te mal,
Já tens outro professor,
Quem será esse senhor,
Eu gostava de saber,
Não me voltes a aparecer,
Já não sou o teu amor.

Nos laços dessa amizade,
Estives-te tu encarcerada,
Agora acabou em nada
Pela tua falsidade.
Já não te tenho amizade,
Só te quero castigar,
Tu deves-te bem lembrar,
Dos meus grandes apertões,
Deixaste-me nos degradões,
Foste-te a outro juntar.

Tinhas só velhacaria,
Eu amava-te na verdade,
Pela tua falsidade,
Até que acabou um dia,
Eu por mim é que não queria,
Quem te desse tal valor,
Hoje digo-te com rancor,
Serás falsa até morrer,
Não me voltes a aparecer,
Já não quero o teu amor.

O FATO DO MEU CASAMENTO

No dia em que eu me casei,
Ia todo preparado,
Com um fato que eu cá sei,
Todo sujo e esfarrapado.
Fui uns sapatos comprar,
Ó que belas alpargatas,
Umas meias bem baratas,
Já rotas no calcanhar,
Faziam-me um belo andar.
Tornei-me filho de um rei.
As ceroulas que levei,
Emprestaram-mas nesse dia,
Foi um dia de alegria,
O dia em que eu em casei.
Com a calça remendada,
Que mais parecia um vivaço,
Com um cinto de baraço,
De junca, podre e entrançada,
Gravata desfiada,
Ainda isso não comprei,
Confesso que a cortei,
De um trapo de pano cru,
Faltava pouco para ir nu,
No dia em que eu me casei,
Com este fato que eu cá sei.,
Com a jaqueta a cadete,
Que tinha lindas amostras,
Tinha um remendo nas costas,
E buraquinhos de lado,
Que tinham os ratos lá andado,
Roendo essa fazenda,
Com este fato de encomenda,
Ia todo preparado,
Chapéu de novo modelo,
Que a todos metia cobiça,
Era um coco de cortiça,
Para não ir em cabelo,
Dava gosto a gente velo,
No dia do meu noivado,
Ficou tudo admirado,
E tornou-se um grande sarilho,
Meu fato metia brilho,
Todo sujo e esfarrapado.
O caldeireiro…

Mal o haja o caldeireiro,
E mais a sua gabassão,
Se não se tivesse gabado,
O capariam ou não.
As moças de Penas Juntas,
Tinham fama de senhoras,
Agora têm por noticias,
De umas grandes capadoras.
Se fordes a Penas Juntas,
Rapazes tende cautela,
Caparam o caldeireiro,
Lá no bairro da capela.
Dia vinte e oito de Março,
Era sábado de Aleluia,
Caparam o caldeireiro,
No meio de uma rua.
Disseram um s para as outras,
Agora já está capado,
Foi dali para o Vilar,
Com o traste dependurado.
Quando chegou ao Vilar,
Começou logo a gritar,
Foi um médico de Vinhais,
Acabar de lho cortar.
As moças de Penas Juntas,
Caparam o caldeireiro,
Para não as descobrir,
Ofereceram-lhe algum dinheiro.
O PELIQUEIRO

NO CONCELHO DE VINHAIS,
NA ALDEIA DE VILAR DE OSSOS,
MATARM UM BOM SUJEITO,
QUE FAZIA OS SEUS NEGÓCIOS.
PORÉM COMO NESTE MUNDO,
NÃO EXISTE UM SÓ PRAZER,
APARECERAM DOIS VAGABUNDOS,
A QUEM ELE DEU DE COMER.
DIZ O MALVADO CIGANO:
- DÁ-NOS DE BEBER MIGUEL,
NÃO PERDES NADA COM ISSO,
VOU-TE ENSINAR UMA PELE,
- SE NÃO QUERES BEBER UM COPO,
PODES BEBER DOIS OU TRÊS,
NEM QUE TE MATE HOJE O BIXO,
NÃO É A PRIMEIRA VEZ.
JÁ CRISTO NOS DECLAROU,
QUE ESTAS PALAVRAS SÃO CERTAS.
QUE POR BEM NOS AVISOU,
FUGIDE DOS FALSOS PROFETAS,
COMERAM COMO AMIGOS,
COM TODA A SATISFAÇÃO,
SEM PENSAR NOS PERIGOS,
NEM MALDITA AMBIÇÃO.
DESDE QUE ESTAVAM SATISFEITOS,
VAMOS LÁ DEPRESSA AGORA,
AINDA FICA MUITO LONGE,
VAMOS JÁ LÁ SEM DEMORA.
COM UM FERRO QUE ELE LEVAVA,
A CABEÇA LHE ESMAGOU,
PARA MAIOR TIRANIA,
OS SAPATOS LHE ROUBOU.
ROUBOU-LHE O SEU DINHEIRO,
DEIXOU-LHE SÓ A CARTEIRA,
PICOU-LHE O CORPO TODO,
COM UM AGULHA ALBARDEIRA.
MATARAM-NO NAQUELE ERMO,
ONDE NINGUÉM VIU,
MAS ESTA TUDO DECLARADO,
QUE A MULHER O DESCOBRIU.
ESSE BONDOSO PELEIRO,
ERA CHEIO DE BONDADE,
POR ISSO A TODOS DEIXOU,
UMA VIVA SAUDADE.
A OPINIÃO DO POVO,
ERA VE-LOS DEGOLADOS,
OU ENTÃO NAQUELE MOMENTO,
COM GASOLINA QUEIMADOS.
Morte do Guarda

Em Vilarinho de Lomba,
A caminho da Cisterna,
Mataram um guarda-fiscal,
Bem longe da sua terra.
Era de Miranda do Douro,
Esse infeliz desgraçado,
Morreu no seu posto de honra,
Para defender o Estado.
Tinha vinte e sete anos,
Esse infeliz soldado,
Só havia sete meses,
Que quebrava o ordenado.
O chefe logo escreveu,
Lá para o nosso Salazar.
Não aceites os vermelhos,
Que há no nosso Portugal.
Ó ribeira ó ribeira

Ó ribeira ó ribeira,
Ó ribeira rigorosa,
Levas-te Ana Maria,
A filha de uma areosa.
E desceu da ponte abaixo,
Aquilo foi um instante,
A amizade que ela tinha,
A de um caixeiro-viajante.
Venham cá se querem ver,
O barulho do areal,
Eram tantos os demónios,
Que a levam pelo ar.
Venham cá se querem ver,
O barulho do moinho,
Eram tantos os demónios,
Que a levam par o infinio.
Numa aldeia sossegada…

Numa aldeia sossegada,
Um pobre casal vivia,
Com a sorte malfadada
A mulher muito sofria.
Quer de noite, quer de dia,
Numa arrelia constante,
Pois o homem desconfiava,
Que a mulher tinha um amante.
- Não acredito Maria,
Apesar das tuas negas.
Pois se a criança for minha,
Há-de ser muda, mouca e ce
ga.
TERESINHA

Quero-te bem Teresinha,
Sempre foste acautelada,
Toda a cautela é pouca,
Quem perde não ganha nada.

Teresinha de Jesus,
Deu uma queda foi ao chão,
Acudiram três cavaleiros,
Cada um chapéu na mão.

O primeiro era seu pai,
O segundo seu irmão.
O terceiro foi aquele,
A quem ela deu a mão.

Tanta laranja partida,
Tanto limão pelo chão,
Tanto sangue derramado,
Dentro do seu coração.

Teresinha de Jesus,
Deu uma queda foi ao chão,
Acudiram três cavaleiros,
Cada um chapéu na mão.


Palmira


Esta noite fui ao baile,
Ao baile para bailar,
Bailei com a Palmirinha,
Toda a noite sem parar.
Palmira olaré Palmira,
Palmira olaré trás trás,
Eu bem vi a Palmirinha,
Na roda com seu rapaz.
Na roda com seu rapaz,
Na roda com seu irmão,
Palmira olaré Palmira,
Palmira do coração.
Esta noite fui ao baile,
Com a Palmira bailei,
Bailei tanto, tanto tanto,
E por ela me apaixonei.
Palmira ólaré Palmira,
Palmira oralé trás trás,
Eu bem vi a Palmirinha,
Na roda com seu rapaz.
Na roda com seu rapaz,
Na roda com seu irmão,
Palmira olaré Palmira,
Palmira do coração.

BELOCAS

Três anos apenas tinha,
Quando isto fez a Beloca,
Disse para a sua avozinha:
És uma velha caroca.
Era tarde entretanto,
A Beloca adormeceu.
Querem ver que caso estranho,
Á Beloca aconteceu!
Sonhou que era velhinha,
Tão velha como a sua avó,
Que quase vista não tinha,
E mal podia andar só.
De manha ao acordar,
Correu para a sua avó,
- Tu não és velha caroca,
Tu és linda linda só.

terça-feira, 30 de março de 2010

SE EU FOSSE RAPAZ

SE EU FOSSE RAPAZ
SERIA UM DIABO BEM, TRAVESSO,
TUDO ISTO VIRARIA DO DIREITO PARA O AVESSO..
NADA COMIGO PARAVA,
PUNHA TUDO EM CONFUSÃO.
TUDO ISTO SEMPRE ANDAVA,
EM CONSTANTE REVOLUÇÃO.
JOGARIA, FUMARIA, BRIGARIA,
SERIA UM PERFEITO SATANÁS.
SE EU FOSSE RAPAZ!
SERIA CONQUISTADOR,
PERIGOSO DE PROFISSÃO,
EU SERIA NO AMOR
UM SEGUNDO DOM JOÃO,
MULHER CASADA OU SOLTEIRA,
QUE FOSSE BONITA EM SUMA,
EU CÁ NÃO POUPAVA NADA,
JOGARIA, FUMARIA, BRIGARIA,
SERIA UM PERFEITO SATANÁS.
SE EU FOSSE RAPAZ!
O DESPORTO ERA UM REGALO,
PARA NUNCA ESTAR IMÓVEL,
SÓ ANDARIA A CAVALO,
DE MOTA OU DE AUTOMÓVEL,
E PARA O TRABALHO DIVIDIR,
EU DAVA A CADA CIDADÃO,
DOZE HORAS PARA DORMIR,
E DOZE PARA A REINAÇÃO,
JOGARIA, FUMARIA, BRIGARIA,
SERIA UM PERFEITO SATANÁS
.
SE EU FOSSE RAPAZ!

ROSA BRANCA

Ó rosa branca,
Flor de neve,
És como o sol a brilhar nos olhos meus,
Quem te beijou,
Grande felicidade teve,
Mas nunca nunca o amor quisera Deus.
Se um dia fores ao cemitério,
E vires um campa no chão triste ao deus dará,
Não tenhas pena,
Meu amor não tenhas medo,
Que são a s causas mortuárias de um rapaz,
Se um dia ouvires tocar o sino,
É um sinal, de alguém que já morreu,
Quero que deites uma lágrima lembrando,
Por aquele louco que por ti tanto sofreu.
Não quero rosas, não quero grinaldas,
Não quero flores em cima do meu caixão,
Quero que deites uma lágrima lembrando,
Quando este corpo repousar no frio chão.

Dona Ângela

Lá se casa dona Ângela,
Lá se casa esposa minha,
Ai à vontade de seus pais,
Pois a dela não seria.

Foram dali para a igreja,
Ai por sua boca dizia,
Ai Deus queira que não me logres,
Nem uma hora nem dia.

Foram dali para casa,
Ai linda mesa que ela tinha,
Ai todos comem todos bebem,
Dona Ângela não comia.

Levaram-na ao passeio,
Ai par ver se distraia,
Ai chegou ao meio do passeio,
Morta no chão cairia.

Mandaram vir o doutor,
Ai para ver o que ela tinha,
Ai tinha o coração virado,
Com o de baixo para cima.

No meio do coração,
Ai duas letras de ouro tinha,
Ai uma dizia adeus João,
Outra amor da minha vida.

Seu pai mandou um decreto,
Ai pelo mundo a voar,
Ai pais e mães que tendes filhos,
Não os controveis casar.

Pais e mães que tendes filhos,
Não os controveis casar,
Ai dona Ângela não morria,
Ajudaram-na a matar.
LUCRÉCIA

Lo-rei de los romanos,
Rei Tarquinio se chamava,
Para dormir com a Lucrécia,
Grande traição lhe armava.
Disse-lhe que vinha de Atenas,
Onde o seu marido andava,
Se muito bem o recebeu,
Muito melhor o tratava.
Mandou-lhe fazer a ceia,
Melhor que a casa dava,
Mandou-lhe fazer a cama,
Numa das melhores salas,
Lá pelo meio da noite,
Tarquinio se levantava
Até que entrou nos aposentos,
Onde a Lucrécia estava,
Lucrécia mal o sentiu,
Infinitos gritos dava,
Ou tens de dormir comigo,
Ou morres na minha espada,
Mais quero morrer mil vezes,
De ser de ti desonrada.
Corre, corre meu marido,
Corre e vem-me valer,
Na espada do rei Tarquinio,
Esta noite vou morrer.
Romance da ceifa:
O IMPERADOR DE ROMA

O Imperador de Roma,
Tem uma filha galharda,
Seu pai queria-a meter freira,
Ela queria ser casada.
Subiu a uma ventana,
Mais alta do que ela estava,
Avistou três segadores,
A fazer uma cegada,
Olhando para todos três,
Ao do meio se inclinava.
Mas um que não tinha pulso,
O outro que não tinha barba,
Ela gostou mais do meio,
Por ter ceitoura de prata.
Chamou pela Joana,
Uma humilde criada,
Vai dizer aquele segador,
Se quer justar a minha cegada.
- Bons dias ó segadores.
- Bons dias pequena camarada.
- Mandou-me aqui a minha senhora,
Se lhe queria justar a cegada,
- Eu não conheço a senhora, N
Nem tão pouco a criada.
- A mim me chamam Joana,
A ela dona Ricarda.
- Aqui estou minha senhora,
Vim com a sua criada,
Estou aqui a seu chamar,
Para justar sua cegada.
- Fá-la tu ó segador,
Que ela te será bem paga,
Não é em baixa, nem ladeira,
Não está junta nem rara,
Ela é numa urreta funda,
Debaixo da minha saia.
Enquanto se faz a ceia,
Vamos dar um bicada,
Lá pelo meio da noite,
A senhora lhe perguntara
- Que tal te vais ó segador,
Com tão grande cegada?
- Já ceifei dezoito molhos,
Ainda mais um mangada,
- Toma lá dezoito duros,
E uma salva de prata lavrada.
- Vai dizer aos teus camaradas,
Que ganhas-te mais tu numa noite,
Que eles em toda a mesada.
- Passado algum tempo,
Ricarda saiu prenhada.

Romance da ceifa:
Indo-me eu por ai abaixo

Indo-me eu por ai abaixo,
Em busca dos meus amores,
Encontrei um laranjal,
Carregadinho de flores.

Eu deitei-me à sombra dele,
Para não me queimar o sol,
Acordei espavorido,
Pelo cantar de um rouxinol.

Rouxinol que tão bem cantas,
Onde foste apreender?
Ao palácio da rainha,
Onde el rei estava a escrever.

O rei estava na varanda,
A rainha no quintal,
Atiravam um ao outro,
Com pedrinhas de cristal.

Umas era a três vinténs,
Outras a cinco reais,
Outras eram de alto preço,
Só el rei lhe podia chegar.
Romance da ceifa:
Fonte do salgueirinho

Minha mãe mandou-me à fonte,
Á fonte de salgueirinho,
Mandou-me lavar a jarra,
Com a flor do rosmaninho.
Eu lavei-a com areia,
E parti-lhe um bocadinho,
- Anda cá perra traidora,
Onde tinhas o sentido?
Não o tinhas tu na roca,
Nem tão pouco no sarilho,
Tinha-lho tu no mancebo,
Que de amores anda contigo.
- Ó minha mãe não me bata,
Com vara de marmeleiro,
Que eu estou muito doentinha,
Mande chamar o barbeiro,
O barbeiro já lá vem,
Com uma lanceta na mão,
Para picar a menina,
Na veia do coração.
- Mal o hajas tu barbeiro,
E mais a tua picada.
Foste picar a menina,
Na veia mais delicada.


O meu amor é chofer

O meu amor é chofer,
Trabalha na gasolina,
Ao passar à minha porta,
Faz pó pó apita a buzina.
O meu amor é chofer,
Da Régua para o Pinhão,
Ai ai ai, passa vida regalada,
Ai ai ai, a guiar o camião.
A guiar o camião,
A guiar a carruagem,
Ai ai ai, de noite vai de passeio,
Ai ai ai, de dia vai de viagem.
O meu amor é chofer,
Da Régua para o Pocinho,
Ao passar à minha porta,
Apita dá-me um beijinho.
O meu amor é chofer,
Da Régua para o Pinhão,
Ai ai ai, passa vida regalada,
Ai ai ai, a guiar o camião.
A guiar o camião,
A guiar a carruagem,
Ai ai ai, de noite vai de passeio,
Ai ai ai, de dia vai de viagem.
MARIA ALICE

Onde vais Maria Alice
Passas a vida a chorar,
Vou buscar o meu marido,
Está na taberna a jogar.
Está na taberna a jogar,
Está na bela brincadeira,
Se não queria casar comigo,
Deixara-me estar solteira.
Deixara-me estar solteira,
Que eu solteira estava bem.
Estimadinha regalada,
Á sombra de pai e mãe.
Linda morena

Ontem à noite fui à ronda,
Ó linda morena,
Ao redor da varandinha,
Ó linda morena,
Ó morena linda.
Não achei com quem rondar,
Ó linda morena,
Tive de rondar sozinha,
Ó linda morena,
Ó morena linda.
Tendes negrilhos à porta,
Ó linda morena,
Quem tem negrilhos tem sombra,
Ó linda morena,
Ó morena linda.
Bem podias Luchy Luchy,
Sair comigo à ronda
Ó linda morena,
Ó morena linda.
Siga la morena oioai

Se tivesse o que não tenho
E o que não tenho me chegasse,
Sem pedir nada a ninguém,
Talvez eu me governasse.
Siga la morena oioai,
Siga la morena,
Assim bem vai.
Se tivesse o que não tenho,
Não pedia nada a ninguém,
Assim como não tenho peço,
Uma filha a quem a tem.
Siga la morena oioai,
Siga la morena,
Assim bem vai.
MORENA AVENTUREIRA

A silva que nasce aporta,
Vai beber à cantareira,
Óai a menina bem casada,
Sempre parece solteira.
Ó morena ó morena,
Ó morena não te vás a aventurar,
Óai olha que o rio vai largo,
Que te podes afogar.
Logo à primeira poldra,
Pôs o pé escorregou.
Óai paizinho da minha vida,
Com tanto amor me criou.
Passaram ali três homens,
Todos sabiam nadar.
Óai, mas nenhum se aventurou,
Para morena salvar.
O ladrão do seu amor,
Sempre a quis acompanhar,
Óai, se muito amor lhe tivera,
Não a deixava afogar.
Ó morena ó morena,
Que assim foste aventureira,
Óai andavas para te casar,
Ainda morreste solteira.
MORENA PERDEU O LENÇO

Morena, por ti morena,
Já passei o mar salado,
Lá no rio de Janeiro,
Ó morena,
Quando chove está claro,
Morena perdeu o lenço,
No terreiro a bailar,
Se seu pai não lhe der outro,
Ó morena,
Em cabelo vai andar.
Morena perdeu o lenço,
Com três pinguinhas de sangue,
Quem lho achar que lho lave,
Ó morena,
Quem lho lavar, que lho mande.
Morena linda morena,
Vai te lavar ao cachão,
Que te laves, que te limpes,
Ó morena,
Morena és de nação.

Lá vai uma lá vão duas

Lá vai uma lá vão duas,
Lá vão três pela primeira,
Lá vai o meu coração,
Em busca de quem o queira.
Lá vai uma lá vão duas,
Três pombinhas a voar,
Uma é minha outra é tua,
Outra é de quem a agarrar.
A criada da vizinha,
É feita de papelão,
Quando vai fazer a cama,
Diz sempre para o patrão,
Sete e sete são quatorze,
Com mais sete vinte e um,
Tenho sete namorados,
E não gosto de nenhum.

EU NÃO VOU LÁ CIMA Á SALA

Ó lampião da esquina,
Alumia rua a baixo,
Que eu perdi o meu amor,
Às escuras não o acho.
Eu não vou lá cima à sala,
Acender o lampião,
Tenho medo que estão lá,
Os olhos de algum ladrão.
Os olhos de algum ladrão,
Os olhos de algum brejeiro,
Eu não vou lá cima à sala
Acender o candeeiro.
Luar claro, luar claro,
Deixa vir a noite escura,
Estou à porta de quem amo,
Não quero dormir na rua.
Eu não vou lá cima à sala,
Acender o lampião,
Tenho medo que estão lá,
Os olhos de algum ladrão.
Os olhos de algum ladrão,
Os olhos de algum brejeiro,
Eu não vou lá cima à sala
Acender o candeeiro.
Ali ai Luanda

Tenho um amor,
Tenho dois,
Tenho três não quero mais,
Para que quero mais amores,
Se eles não me são leais.
Ali, Ali, Ali, Ai Lunada,
Ali, Ali ai Luanda,
Ali, ó Lunada olá.
O meu amor é um anjo,
Deu-me o Deus, bem lho merece,
Todos me dizem que o vendem,
Anjo de Deus não tem preço.
Ali, Ali, Ali, Ai Lunada,
Ali, Ali ai Luanda,
Ali, ó Lunada olá.

quinta-feira, 25 de março de 2010

COSTUREIRINHA

Ó minha costureirinha,
Tens agulha tens dedal,
Só te falta a tesourinha,
Para talhares o avental.

Para talhares o avental,
Para cozeres a blusinha,
Prepara-te e vem comigo,
Ó minha costureirinha.

Ó minha costureirinha
Prega-me aqui um botão,
Mais abaixo, mais acima,
Há raiz do coração.

Ó minha costureirinha,
A tua agulha picou-me,
Foi tão grande a picadela,

Estava a dormir e acordou-me.
Toca a dançar

A laranja quando nasce,
Nasce logo redondinha,
Também tu minha menina,
Nasces-te para ser minha.

Toca a dançar
E a bater o pé,
Quanto mais se dança,
Mais bonito é.

Da laranja quero um gomo,
Do limão quero um pedaço,
Da menina mais bonita,
Quero um beijo e um abraço.

Toca a dançar
E a bater o pé,
Quanto mais se dança,
Mais bonito é.
Iracema

Lá em cima da caixa de água,
Morava uma menina,
Chamada Iracema,
E morreu envenenada.
O enterro de Iracema,
Mais parecia um procissão,
Iracema foi acompanhada,
Pela fábrica do sabão.
Eu ia por um caminho,
Um galho verde me bateu,
Não me batas galho verde,
Que Iracema já morreu.
Olinda

Ó Olinda, ó Olinda,
Ó Olinda queres s
er minha namorada?
Não te deites a afogar,
Que a água está gelada.

A água está gelada,
O poço é muito fundo,
Ó Olinda, ó Olinda,
Ó Olinda, vais dizer adeus ao mundo.

Vais dizer adeus ao mundo,
Vais dizer adeus à terra.
Ó Olinda, ó Olinda,
Teu marido anda na guerra,

Teu marido anda na guerra,
Anda lá a combater,
Palpita o meu coração,
Não o voltamos a ver
.
Elisa

Elisa estava à janela,
Na janela debruçada,
Passou ali um rapaz novo,
Viva a minha namorada.

Elisa foi para a cozinha,
Muito triste amargurada.
A quem aquele rapaz diria
Que eu era dele namorada.

Elisa foi para o quintal,
O malvado foi atrás dela,
Deitou-lhe as mãos á cintura,
Sete facadas lhe dera.

Se eu soubesse que morria,
Mandava fazer a cova,
Eu queria ser enterrada,
No largo de Vila Nova.
Um caso impressionante

Este caso impressionante,
Faz cortar o coração,
Foi por causa de um amante,
Que aquela mulher tratante,
Cometeu tal violação.
O seu marido morreu,
Ficando com um filhinho,
E logo tudo esqueceu,
E sempre maus tratos deu,
Ao infeliz orfãozinho.
Ás seis horas da manhã,
O filho fez levantar,
Com uma grande nevada,
Descalcinho caminhava,
E assim dizia a chorar:
- Para onde vamos mãezinha,
Com tanto frio que está,
Que triste vida a minha,
Tu eras tão boazinha,
E agora está tão má.
Chegou a uma pedreira,
Seu filho ao fundo deitou,
Essa malvada assassina,
Deitou-lhe pedras em cima,
Com uma grande o matou.
As vizinhas perguntavam,
Pela infeliz criancinha,
E ela sempre afirmava,
Que o pequenino estava,
Para casa da avozinha.
Que fizeste ao teu menino

De quem é aquela criança,
Que além vem amortalhada,
Para ser da freguesia,
Ainda não se ouviu nada.


Que fizeste ao teu menino
Dias há que o não vi,
O meu menino está bem,
Ainda ontem lhe escrevi.


A carta que lhe mandei,
Mandei-lha com segurança.
Até levava o carimbo
Do correio de Bragança.


Venha papel, venha tinta,
Venha também escrivão,
Que eu quero deixar escrito,
O pago que as mulheres dão.
Pastor Facticida

Escutem lá meus senhoires,
O caso que eu vou contar,
Foi um homem, assassinado,
Por quem andava a roubar.
 

Este caso tão horroroso,
Vai ficar na lembrança,
Foi na aldeia de milhão,
No concelho de Bragança.


Era um malvado pastor,
Que o seu lameiro comia,
O homem saiu de casa,
Para ir fartar a cria.


Para que me comes o lameiro,
Disse ele para o pastor,
Agora o que tu merecias,
Era chamar-te um doutor.


O pastor com a raiva profunda,
Logo ao homem se atirou,
Deu-lhe tamanha pedrada,
Logo ao chão o deitou.


Levava um roçadora.

Esse honrado lavrador ,
Com ela o partiu ao cachos,
O malvado do pastor.


Partira-lhe então o cabo,
Sem mais nada demorar.

Sentou-se-lhe em cima do peito,
Para melhor descansar.


A toda a gente causou dó,
Lá dentro daquela terra.

Foi pior do que um cortador,
Quando corta uma vitela.


As vacas que andavam no lameiro,
A casa foram a ter.

E logo um filho desse homem,
Do pai logo foi saber.


O filho ao ver o paizinho,
Deu-lhe grande aflição.

Ele não conseguiu suster-se,
Quase morto caiu no chão.


Não terás vergonha ó malvado,
No dia do julgamento.

Roubas-te e assassinas-te,
Òh que tão feio exemplo,
 

Não terás vergonha óh malvado,
Se não de acabar na prisão.

Teu concelho é Bragança,
Não voltas mais a milhão.
Dia 29 de Maio

Dia 29 de Maio,
Dia de tão pouca sorte,
Eu joguei todo o dinheiro,
Empenhei o meu capote.
Era meia-noite em ponto,
Mulher dá-me de cear,
Jogas-te todo o dinheiro,
Nada tenho para te dar.
Ainda hoje não comi nada,
Nem eu nem as criancinhas.
Por causa de tu jogares,
Todo o dinheiro que tinhas.
Tira-te daqui mulher,
Não me estejas a atentar!
Tiro o meu punhal do bolso,
Satisfaço a minha vontade,
Satisfaz o teu desejo,
Satisfaz tua vontade,
Que aqui me tens a teu lado,
Como mãe de caridade.
Os filhos que aquilo ouviram,
Para a rua foram a gritar,
Quem acode á minha mãe,
O meu pai a quer matar.
Ele que aquilo ouviu,
Os filhos para casa chamou.
Tirou o punhal do bolso,
Mulher e filhos matou.



Ontem à noite aconteceu,
Um caso de admirar
Um filho matou o pai,
Numa estalagem a jogar.
Lá pelo meio da noite,
A casa se foi chegar,
- Abre-me a porta minha mãe,
Que me quero ir deitar.
- Eu a porta não ta abro,
Nem de ti quero saber.
Eu já dei parte à policia,
Que te venha já prender.
- Mas policia não a há,
Nem para mim,
Nem para você.
Na ponta deste punhal,
Eu a quero ver morrer.
- Mal o hajas tu meu filho,
Fora o leite que mamas-te
Já matas-te o teu paizinho.
Já com o fim lhe acabas-te.
Mal o ajas tu meu filho,
Fora o leite de meu peito,
Já matas-te o teu paizinho,
Queres levar tudo a eito.
- Reparem ó meus senhores,
Naquilo que eu vou dizer,
No jogo e nas bebedeiras,
Sempre há-de haver que ver.
Reparem ó meus senhores,
E pensem bem no que eu digo,
Por causa do maldito jogo,
É que o mundo anda perdido.
António José Pinheiro

António José Pinheiro
Foi com seu pai para trabalho,
Por tão pouca discussão,
Deixou o seu pai degolado.
Foi para casa como fera,
Minha mãe deu-me dinheiro,
Quero-me ir daqui para fora,
Embarcar para o estrangeiro.
Eu dinheiro não o tenho,
Deixa vir o teu paizinho,
Ele to pode ir arranjar,
O meu pai já não mo arranja,
Morto ficou no pinhal,
Se a senhora não mo dar,
Eu vou-lhe fazer igual.
Valha-me Deus quem me acode,
Aqui não tenho vizinhos,
Que me mata este malvado,
Que eu criei com mil carinhos.
Entra o povo sem demora,
Pela casa empolvorido,
Encontraram a mulher morta,
E o filho tinha fugido.
Cercaram a povoação,
Para prender o malvado,
Foram dar com ele num palheiro,
Ainda toda ensanguentado.
Emília Traidora

O dia 5 de Outubro,
Este caso aconteceu,
Um filho matou a mãe,
Sete facadas lhe deu.

Ele andava de namoro,
Com uma tal chamada Emília,
Sua mãe o repreendeu,
Tira-te dessa má vida.

Foi para junto da Emília,
Aos pés dela a chorar,
Ó Emília ó Emília,
Eu venho cá para te deixar.

Ó Emília ó Emília,
Eu venho cá para te deixar.
Minha mãe me repreendeu,
Por te andar a namorar.

Tu que me dizes António,
Tu que me estás a contar,
Toma lá este punhal,
Tua mãe irás matar.

Ajoelhe-se minha mãe,
Faça a confissão geral,
Não me mates ó António,
Não me mates ó traidor.

Nove meses eu te trouxe,
No ventre com tanta dor,
Palavras não eram ditas,
Punhal do bolso tirou.

Ele matou sua mãe,
Sete facadas lhe deu.
Ó Emília ó Emília,
Ò Emília ó malvada.

Eu matei a minha mãe,
Por causa da namorada.
Ó Emília, ó Emília ó traidora,
Eu matei a minha mãe,
Foste tu a causadora.

Ó Emília ó Emília,
Tu não tiveste paixão,
Sete facadas lhe deu,
Nas veias do coração.

Adeus sol, adeus lua,
Adeus tanques de água fria,
Aonde eu me ia lavar,
A toda a hora do dia.

Adeus sol, adeus lua,
Adeus fontes de beber,
Adeus Emília traidora,
Que não te volto a ver.

terça-feira, 23 de março de 2010

Perdão Emília

Se eu algum dia te chegar a ver,
De porta em porta mendigando pão,
Darei-te a esmola como a qualquer pobre.
Mas nunca nunca te darei perdão.
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Que eu roubei teus lábios,
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Para um desgraçado.
Se eu algum dia te chegara a ver,
De prisioneiro, naquela prisão,
Irei-te a ver como a qualquer preso,
Mas nunca nunca te darei perdão.
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Que eu roubei teus lábios,
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Para um desgraçado.
Se eu algum dia te chegar a ver,
Morto e estendido dentro de um caixão,
Irei-te a ver como a qualquer morto,
Mas nunca nunca te darei perdão.
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Que eu roubei teus lábios,
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Para um desgraçado.
Se eu algum dia te chegar a ver,
Num cemitério dentro de um caixão,
Chorarei por ti tinha-te amizade,
Só nesse dia te darei perdão.
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Que eu roubei teus lábios,
Perdão Emília,
Que eu roubei-te a vida,
Perdão Emília,
Para um desgraçado.

Manuel do bairro

Adeus ó Manuel do bairro,
És ladrão és carniceiro,
Que fizeste à tua filha,
Com o lobo ao carneiro.
Eu não sei que mal te faço,
Que mal te posso fazer,
Que te tiras da janela,
Só para eu não te ver.
Eu não sei que mal te fiz,
E não sei que mal te faço,
Que te tiras da janela,
Quando eu pela rua passo.
Adeus ó Manuel do bairro,
És carniceiro e ladrão,
Que fizeste à tua filha,
Como o lobo fez ao cão.



Pavão

- Bom dia ó meu papa,
Bons dias lhe venho dar,
Matei o pavão ó mestre,
Faz favor de lho pagar.
- Diz-me cá ó Antoninho,
Como matas-te o pavão,
- Estava brincando com ele,
Caiu-me morto no chão.
- Tome lá dezoito livras,
Ou vinte e uma serão.
Para pagar o valor,
E a estima do seu pavão.
- Saia daqui ó amigo,
Para amigos não é nada.
Mande Antoninho à escola,
Que esta já esta perdoada.
- Antoninho vai para a escola,
Que é preciso apreender.
- Á escola não vou meu pai,
Pois eu sei que vou morrer.
- Antoninho vai para a escola,
Que é preciso estudar.
- Á escola não vou meu pai,
O mestre me quer matar.
Adeus pai, adeus mãe,
Não os volto mais a ver,
Eu vou para a sala dos livros,
E lá sei que vou morrer.
Antoninho pegou na bolsa,
Todo o caminho a chorar,
Chegou à porta da escola,
Ainda ia a suspirar.
- Não suspires Antoninho,
Vai para ali a estudar,
Pois na hora da partida,
Nós iremos conversar.
Eram dez para as onze horas,
Meio-dia estava a ser,
Já todos vinham da escola,
Antoninho sem aparecer.
- Olá meus pimpões da aula,
Não vistes meu Antoninho?
- Ficou na sala dos livros,
Com o coração aos saltinhos.
Chorava seu pai chorava,
Chorava metia horror.
Pegou num punhal de ouro,
Foi matar o professor.
- Lá lhe vai esta facada,
Direita ao coração,
Para pagar o valor,
A estima do seu pavão.
- Aqui estou senhor juiz,
Delegado senhor Manuel,
Estou ao seu lado direito,
Deia-me a sentença que quiser.
A sentença que lhe vou dar,
Eu já a estou a ver,
Ele matou o Antoninho,
E você matou a ele.
Aldeia Alentejana

Numa aldeia alentejana,
Que horror,
Uma mãe matou três filhos de uma vez,
Essa malvada sem coração,
Era casada e viúva,
Havia um mês.
Um amante prometeu-lhe casamento,
Mas tu tens de abandonar os teus miúdos.
Que eu não estou

para perder meu tempo,
Nem para gastar

Com eles os meus escudos.
Com uma faca dos serviços da cozinha,
O seu filhinho mais velho matou,
Essa malvada sem coração,
Os outros dois com
Uma machada os retalhou.
Pais e mães que tendes os filhos,
Dai-lhe amor e criação,
Reparai para esta mulher mundana,
Entregou o seu corpo à prisão.
Morte Negra

Eu já vi a morte negra,
Numa vinha a colher uvas.
Morte negra, ó negra morte,
Desamparo das viúvas.
Desamparo das viúvas,
Desamparo das casadas,
Ó morte, ó negra morte,
Ó morte tão desgraçada.
Eu já vi a morte negra,
A colher flores na ermida,
Morte negra, ó negra morte,
Levas-te uma rapariga.
Levas-te uma rapariga,
Matas-te uma donzela,
Ó morte, ó negra morte,
O povo chorou por ela.
A avarenta

Havia um homem rico,
Mas logo enviuvou,
Casou com uma mulher pobre,
Ela soberba tomou.
Quinta feira de ascensão,
Da semana que há-de vir,
Apareceu um pobrezinho,
Num doloroso pedir,
Ele como era homem bom,
Comovido de compaixão,
Foi lá dentro e cortou,
Um bocadinho de pão,
Veio uma fera depressa,
Da mão lho foi a tirar,
Foi o deitar à caldeira,
Por ela o não precisar.
- Anda cá ó meu marido,
Anda cá se queres ver.
Uma caldeira sem água,
Cheia de sangue a ferver.
- Ó mulher tu és má,
Tu não vais ter mais perdão.
Metes-te a alma no inferno,
Por um bocado de pão.
O pobre pediu ao rico

O pobre pediu ao rico,
Um bocadinho de pão,
O rico lhe contestou,
Vai trabalhar mandrião!
- Se peço sou mandrião,
Mas se roubo sou ladrão.
Bem podias avarento,
Dar-me aonde eu ganhar pão.
O rico tem o dinheiro,
O pobre também o tem.
O rico gasta o que quer,
O pobre gasta o que tem.
- Levanta-te ó avarento,
Esta um enterro a passar,
É um corpo de um artista,
Que morreu a trabalhar.
Eu sou pobre e tu és rico,
De mim hás-de precisar,
Enquanto eu tiver vigor,
Para ti eu hei-de trabalhar.

segunda-feira, 22 de março de 2010


Linda Pastora

Deus te salve rosa,
Belo Sarafim,
Tão linda pastora,
Que fazes aí?
Que fazes aí?
No monte com o gado?
- Mas que queres senhor?
Nasci para este fado!
- No monte com o gado,
Corre grande perigo.
Queira a menina,
Venir-se comigo.
- Não quero não, não
Tão alto criado,
Com meia de seda,
Sapato delgado,
- Sapatos e meias,
Tudo romperei,
Pelo amor da menina,
A vida darei.
- Vá-se ó magano,
Não me cause mais ódio,
Que hão-de vir meus amos,
Trazer-me o almoço.
- Que venham teus amos,
Isso é que eu gosto,
Quero que eles vejam,
Que eu amo com gosto.
Naquela devesa,
Oiço berrar gado,
- São minhas ovelhas,
Que me têm faltado.
Maria Rosa

Vem comigo Maria Rosa,
Vem comigo ao passeio,
Vamos comer um jantar,
Á sala do meu recreio.
- Eu contigo não vou,
Não tenho nada que ir lá fazer,
Sabes que a tua mulher,
Nem as sombras me querem ver.
- Minha mulher não está lá,
Estes três dias não vem.
Foi fazer uma visita,
A seu pai e sua mãe.
Logo ao primeiro prato,
Logo ao prato primeiro,
-Matas-te a tua mulher,
Assassino carniceiro.
- Come come Maria Rosa,
Não te ponhas amarela,
A carne que estas comendo,
É do peito da vitela.
- A do peito da vitela,
Não tem este sabor!
Matas-te a tua mulher,
Já não lhe tinhas amor.
- Foi certo que a matei,
Isto por hora é segredo,
Toma lá esta aliança,
Que ela trazia no dedo.
- Eu a aliança não ta quero,
Nem de ti quero saber.
Vou já dar parte à policia,
Que te venha já prender.
- Adeus ó Maria Rosa,
Mais aqui não voltarei,
No deserto abrasado,
Aos meus dias findarei.
Mariana

- Minha tia, Minha tia,
São horas de levantar!
Fiz esta noite uma apostas,
Espero de a ganhar.
Não apostes meu sobrinho,
Tu não andes a apostar,
Que Mariana é muito fina,
Não se deixa enganar.
- Do modo que eu a engano,
Ninguém há-de desconfiar,
Eu vou-me vestir de dama,
Para o jardim a passear.
- Quem é aquela dama,
Com tão bonito trajar?
- É filha da tecedeira,
Que comigo vem passear,
Ainda não eram onze horas,
Já ela estava a gritar,
- Abra-me a porta mama,
Que me querem enganar!
Ainda não era meia-noite
Já ele se andava a gabar.
- Enganei a Mariana,
Antes do galo cantar.
Romance da ceifa:
Berbenita

Campos verdes, verdes campos,
Bem os vejo verdegar,
Quem me dera naquele monte,
Quem em dera naquele vale,
Quem me dera mais além,
Na casinha de meu pai.
- Se as saudades são grandes
O caminho para lá vai,
- Mas dom Pedro é meu marido,
Quem lhe porá de jantar?
- Dom Pedro é meu filho,
Eu lhe porei de jantar,
Chegou dom Pedro da caça,
Á mesa se foi a sentar,
- Tu em que pensas meu filho?
- Tu em que está s a pensar?
- Estou pensado na Berbenita,
Que não me põe de jantar.
- Essa perra traidora,
Em casa de seu pai vai,
A mim me chamou perra velha,
E a ti filho de mau pai.
Minha bênção te não deito,
Enquanto a não fores matar,
Chamou pelos seus criados,
Por o mais liberal,
Aparelha-me dois cavalos,
Depressa não devagar
Que jornadinhas de três dias,
Em três horas se hão-de andar.
Montou num cavalo ruivo,
Logo se pôs a galopar,
Dali para Moribandes,
Não tardou em lá chegar,
Três voltas deu ao palácio,
Não encontrou por onde entrar,
Ao cabo das três voltas,
Sua sogra o viu espreitar,
- Que fazes aqui dom Pedro,
Que fazes neste lugar?
- Berbenita é minha esposa,
Eu a venho buscar.
- Paradinha de três dias,
Para onde ma queres levar?
- Que parida que valeira,
Aqui não lhe vai ficar.
Ele montou no cavalo ruivo,
Ela num potro branco real,
Dali para sua casa,
Se puseram a galopar,
Chegou ao meio do caminho,
Ela se põs a gritar,
- Olha para trás dom Pedro,
Olha se queres olhar,
O teu cavalo é branco,
E ve-de-lo vermelejar,
- Adiante adiante Berbenita,
Adiante noutro lugar,
Haverá manjares finos,
Para o teu corpo consolar,
Eu não me importo que me mates,
Nem tenho pena de morrer,
Só tenho pena do meu filho,
Que outra mãe não vai a ter,
- A quem deixas os teus vestidos?
- A quem os hei-de deixar?
Deixo-lhos às tuas irmãs,
Que bem lhe hão-de ficar.
- A quem deixas os teus sapatos?
- A quem os hei-de deixar?
Deixo-lhos às tuas irmãs,
Que bem os hão-de gastar.
- A quem deixas o teu menino?
- A quem o hei-de deixar?
- Deixo-o à tua mãe,
Que bem o há-de estimar.

Romance da ceifa:
CAVALEIRO


A caçar vai cavaleiro,
A caçar como o sol ia,
Seus perros leva-os cansados,
Seu cavalo cansado ia.
Anoiteceu-lhe na serra,
No meio da ramaria,
Encostou-se a uma rocha,
Que naquela serra havia.
Lá pelo meio da noite,
Deitou os olhos para cima,
Avistou uma donzela,
Avistou uma menina.
Que fazes ai donzela?
Que fazes ai menina
Estou a cumprir uma praga,
Que ma deitou minha madrinha,
Diz-me cá tu ó donzela,
Diz-me cá tu ó menina,
Quanto tempo era essa praga,
Quanto tempo ela seria?
Essa praga era por sete anos,
E hoje mesmo acabaria,
Monta para o meu cavalo,
Sobe para cima menina,
Vais atrás e eu á frente,
Pois assim é honra minha,
Chegou ao meio do caminho,
A espada fez perdida.
Deu volta o seu cavalo,
Para trás ele volveria.
Á frente à frente cavaleiro,
Não uses tal tirania.
Se a espada era de prata,
De ouro o meu pai outra te daria.
Diz-me quem é o teu pai,
E tua mãe quem seria?
O meu pai é rei de França,
Minha mãe dona Maria.
Abre-me a porta minha mãe,
Abra-a com muita alegria,
Fui em busca de uma esposa,
E encontrei uma irmã minha.
Se tu trazes uma esposa,
Leva-a para os altos palácios,
Se trazes uma irmã tua,
Manda-a cá para meus braços.
Diz-me cá ó minha filha,
Onde estives-te metida,
Estive na lameira da serra,
No meio da água fria,
Onde a cobra coaxava,
E o sapo lhe respondia.
Romance da ceifa:
Gerinaldo


Gerinaldo, ó Gerinaldo,
Paigem del rei mais querido,
Bem podia Gerinaldo,
Passar a noite comigo.
Se eu não fosse teu criado,
Tu não gozavas comigo.
Eu não gozo Gerinaldo,
Eu bem ao serio to digo.
Se é para dormir contigo,
Diz-me à hora que eu hei-de ir.
Das onze para a meia-noite,
Quando o meu pai for dormir.
Ainda não eram onze horas,
Já ele estava a partir,
Com os sapatos nas mãos,
Para ninguém o ouvir.
Quem bate à minha janela,
Quem arromba o meu postigo?
É pois ele o Gerinaldo,
Não faltou ao prometido.
Acordou el rei num sonho,
Que não lhe saiu errado,
Que tinha alguém com sua filha,
Ou o palácio roubado.
Deu volta às sete salas,
Não encontrou nada mexido,
Foi ao quarto da filha,
Gerinaldo lá metido.
Para matar o Gerinaldo,
Criara-o de pequenino,
Para matar a sua filha,
Ficava com o reino perdido.
Levanta-te ó Gerinaldo,
Que meu pai já é sabido,
Não vês o punhal del rei,
Entre nós esta metido,
De onde vens ó Gerinaldo,
Que ainda vens adormecido,
Eu fui dar água aos cavalos,
Que ainda não tinham bebido.
De onde vens ó Gerinaldo,
Que ainda vens adormecido,
Fui à caça de uma rola,
Do outro lado do rio.
A rola que tu caças-te,
Foi criada com o meu trigo,
Trata a tu como uma esposa,
E ela a ti como um marido.

Celebre escultor

Era um celebre escultor,
De obras de grande valor,
Na cultura sem rival,
Fez em pedra o grande rei,
As doze tábuas da lei,
E as quinas de Portugal.
Mas um dia a cruel sorte,
Deu-lhe na carreira um corte,
Ao glorioso artista.
Na pedra em que trabalhava,
Com a força que lhe dava,
Saltou-lhe um cusmalho à vista,
Com a vista a chorar,
Não podia trabalhar,
Sentia faltar-lhe a luz.
Ele mesmo já sem ver,
Ainda conseguiu fazer,
Cristo pregado na cruz.
Num festa muito constada,
Foi a cruz inaugurada,
Lá na sua freguesia.
O artista sem igual,
Caiu a pedestal,
Quando o Bispo a cruz benzia,
Ele morreu ajoelhado,
E depois de a cruz ter beijado,
Dizia em voz baixinha:
“Todos temos uma cruz,
Eu fiz esta para Jesus,
Quando ele terminou a minha”.
BELA AURORA

Os cravos dos meus craveiro,
Já lá vão para Miranda,
Voltai cravos ao craveiro,
Que eu seguirei a demanda.
A bela aurora,
Lá vem, lá vem,
Toda contente,
Ó que graça tem.
Ó bela aurora,
Lá vem agora,
Vem dar alívios,
A quem namora.
A bela aurora,
Lá vem contente,
Vem dar alívios,
A toda a gente.
O meu amor é um cravo,
Eu bem o soube escolher,
No craveiro não há outro,
Só se ainda agora nascer.
A bela aurora,
Lá vem, lá vem,
Toda contente,
Ó que graça tem.
Ó bela aurora,
Lá vem agora,
Vem dar alívios,
A quem namora.
A bela aurora,
Lá vem contente,
Vem dar alívios,
A toda a gente.
PAPO SECO

Esta noite há-de chover,
Uma chuva miudinha,
Ó papo seco,
Eu hei-de me livrar dela,
Ó papo seco,
Na tua cama menina,
Ó papo seco,
Eu não quero nada teu,
Por tua causa,
Já minha mãe me bateu.
Ó papo seco,
Eu não quero nada, nada,
Por tua causa,
Já minha mãe me ralhara.
Esta noite há-de chover,
Uma chuva rigorosa.
Ó papo seco,
Eu hei-de-me livrar dela,
Ó papo seco,
Na tua cama ó Rosa.
Ó papo seco,
Eu não quero nada teu,
Por tua causa,
Já minha mãe me bateu.
Ó papo seco,
Eu não quero nada, nada,
Por tua causa,
Já minha mãe me ralhara.
O chove e o que leva a trovoada

Não te namores,
Moreninha na cidade,
Na minha terra,
Pó de arroz é novidade.
O chove, o que leva a trovoada,
A minha terra,
É uma terra abençoada.
Ó quem me dera,
Desta terra para fora,
Onde não haja,
Pó de arroz a toda a hora,
O chove, o que leva a trovoada,
A minha terra,
É uma terra abençoada.
Ó quem me dera,
Desta terra para a minha,
Onde não haja pó de arroz,
Nem brilhantina.
O chove, o que leva a trovoada,
A minha terra,
É uma terra abençoada.

Arrulha a Pomba arrulha a Pomba

Volta pomba ao pombal,
Que anda o caçador na serra,
Tem uma arma de prata,
Onde ele a ponta não erra.
Arrulha pomba, arrulha a pomba,
Arrulha a pomba no rulhador,
Todos têm só eu não tenho,
Nesta terra meu amor.
Atirei e não matei,
Ó mal empregado tiro,
Ó mal empregado tempo,
Que eu passei de amores contigo.
Arrulha pomba, arrulha a pomba,
Arrulha a pomba no rulhador,
Todos têm só eu não tenho,
Nesta terra meu amor.

ROLINHA

A Rola se vai queixando,
Para os lados da igreja,
Não há tiro que a mate,
Nem caçador que a veja.
A Rolinha, sim , sim, sim,
Caiu num laço meu bem,
Dá-me um abraço;
Sim eu dou.
Dá-me um beijinho também.
A Rola se vai queixando,
Que lhe roubaram o ninho.
Não o fizeras tu Rola,
Tanto à beira do caminho
A Rolinha, sim , sim, sim,
Caiu num laço meu bem,
Dá-me um abraço;
Sim eu dou.
A Rola se vai queixando,
Que lhe roubaram os ovos,
Não os puseras tu rola,
Tanto à beira dos meus olhos.
A Rolinha, sim , sim, sim,
Caiu num laço meu bem,
Dá-me um abraço;
Sim eu dou.

Senhora Ana Senhora Marquinhas


Ó senhora Ana,
Senhora Maria,
O seu galo canta,
O meu assobia.
Ó senhora Ana,
Senhora Marquinhas,
Repreenda o seu galo,
Das minhas galinhas.
Ó senhora Ana,
Repreenda o seu pito,
Que as minhas galinhas
O acham bonito.
Ó senhora Ana,
Senhora Marquinhas,
Repreenda o seu galo,
Das minhas galinhas.
Ó senhora Ana,
Repreenda o seu galo,
Que as minhas galinhas,
Querem namorá-lo.
Ó senhora Ana,
Senhora Marquinhas,
Repreenda o seu galo,
Das minhas galinhas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

CONDENSA

CONDENSA Ó CONDENSINHA,
CONDENSA DO ARAGÃO,
VENHO-TE PEDIR UMA FILHA,
TÃO BONITAS QUE ELAS SÃO.
MINHAS FILHAS NÃO AS DOU,
NEM POR OURO, NEM POR PRATA,
NEM PELO SANGUE DA LAGARTA,
QUE MAS CUSTOU A CRIAR.
TÃO CONTENTE COMO EU VINHA,
TÃO TRISTE ME VIM ACHAR!
PEDI FILHAS Á CONDENSA,
CONDENSA NÃO ME AS QUIS DAR.
VOLTA A TRÁS Ó CAVALEIRO,
SE TU ÉS O BEM DO BEM,
DAREI-TE UMA FILHA MINHA,
SE TU MA ESTIMARES BEM!
ESTIMO-TA BEM COMO BEM,
SENTADA NUMA ALMOFADA,
A CONTAR CONTINHOS DE OURO,
SALTA CÁ MINHA ESPOSADA!

LARANJA

Doce era a laranja,
Doce é que não amarga!
De onde a vocês a trouxeram?
Tão da vida e tão amada!
Trouxemo-la de entre os mouros,
De onde bem guardada estava!
Nós trouxemo-la de noite,
Que de dia não se usava!
Nós trouxemo-la de noite,
Que de dia não se usava!
Nós trouxemo-la despida,
De onde bem vestida estava.
Nós trouxemo-la despida,
De onde bem vestida estava.
Nós trouxemo-la descalça,
De onde bem calçada estava.
Nós trouxemo-la descalça,
De onde bem calçada estava.
Nós trouxemo-la de noite,
Que de dia não se usava!

CARACOL

Gostava de ver o jeito,
Com que você me falou,
Andava-me para me enganar,
Mais enganado ficou!
Caracol parede abaixo,
Caracol parede a cima,
Caracol caiu na água,
Tenha cuidado ó menina!
Quando te vi logo disse,
Tenho um amor para sempre,
Conheci-te a falsidade,
Retirei-me estou ausente.
Caracol parede abaixo,
Caracol parede a cima,
Caracol caiu na água,
Tenha cuidado ó menina!

O abano e a vassoura

O abano e a vassoura
Fizeram combinação,
O abano faz o vento,
O abano faz o vento,
A vassoura varre o chão,
Querida vassoura,
Minha vassourinha,
Quando tu passavas,
Da sala para a cozinha,
Abana, abana, meu abanador,
Abana, abana, abana, faz calor.
Margarida ò Margarida, Não vás de noite à cozinha!
Que está lá o abaninho,
A namorar a vassourinha!
Querida vassoura,
Minha vassourinha,
Quando tu passavas,
Da sala para a cozinha,
Abana, abana, meu abanador,
Abana, abana, abana, faz calor.
Quando eu não tinha

Quando eu não tinha
Desejava ter,
Um amor ao longe,
Para lhe escrever.
Agora já tenho,
Já me não importa,
Eu já tenho amor,
Para ir à horta.
Para ir à horta,
Para ir regar,
Eu já tenho amor,
Que me vem falar.
Quando eu não tinha
Desejava ter,
Um amor ao longe,
Para lhe escrever.
Agora já tenho,
Já me não interessa,
Eu já tenho amor,
Para ir à festa.
Para ir à festa,
Para ir e vir,
Eu já tenho amor,
Que me vem sair.
Carolina

Carolina ao fim do almoço,
Sua casinha arrumou,
Veio sua mãe de fora,
Colher couves a mandou.
Colher couves a mandou,
Ainda a está a mandar,
Vai buscar couves à horta,
Para fazer o jantar.
Chegou ao meio da rua,
Joaquim lhe perguntou:
- Onde vais ò Carolina,
Onde vais que eu também vou?
- Onde vais ò Carolina,
Onde vais que eu também vou?
- Vou buscar couves à horta,
Que minha mãe me mandou,
Que me mandou,
Ainda me está a mandar,
Vou buscar couves à horta
Para fazer o jantar.
Chegou ao meio da horta,
Ele um beijo lhe pediu,
Virou a cara para um lado,
Fazendo que não ouviu.
Chegou ao cabo da horta,
Deitou-lhe o braço por cima,
Senta-te aqui a meu lado,
Senta-te aqui Carolina.
Senta-te aqui Carolina
Senta-te aqui a meu lado,
Eu quero que ouças,
Este meu palavreado.

O palavreado dos homens,
Farta estou de o saber!
Não é pelo ter usado,
Tenho-o ouvido dizer!
Lá te vai esta facada!
Direita ao coração!
Já que não casas comigo,
Não casas com outro não!
Lá te vai esta facada
Lá te vai devagarinho,
Já que não casas comigo,
Não casas com o Antoninho!
A morte que tu levas-te,
Devia a levar tua mãe,
Já que não casas comigo,
Não casas com mais ninguém!
Santa Helena

Estava a Santa Helena,
Cozendo numa almofada,
Com agulha de ouro,
E dedal de prata.
Passou ali um cavaleiro,
Pediu-lhe pousada.
Meu pai como bom,
Disse que lha dava!
Mandou-lhe fazer a Seia,
Do melhor que dava a casa,
Mandou-lhe fazer a cama,
Dentro da melhor sala,
Eram onze horas,
Cavalheiro pediu água,
Eu como mais nova,
Levantei-me a dar-lha.
Era meia-noite,
Casa roubada,
Todos apareciam,
Só eu não estava!
Levou-me sete léguas,
Sem comigo dar fala.
Ao cabo das sete léguas,
Perguntou-me como me chamava,
Eu em minha casa,
Era Helena amada,
Nas suas mãos cavaleiro,
Serei Helena desgraçada!
Tirou um punhal do bolso,
Ali a matou,
Coberta de monte,
Ali a deixou!
Passados sete anos,
Cavaleiro por ali passou,
Que bela ermida,
Naquele ermo encontrou!
- Pastores e pastoras,
Que guardais o gado,
De quem é aquela ermida,
De quem é aquele orado?
- É de Santa Helena,
Que um cavaleiro a matou!
E coberta de fetos,
Ali a deixou.
- Perdoa-me Helena,
Meu amor primeiro,
Se me perdoares,
Eu serei vosso romeiro!
- Eu não te perdoo-o,
Ó meu carniceiro!
Que me degolas-te,
Como o lobo ao carneiro!
- Perdoa-me Helena,
Meu amor primeiro,
Se me perdoares,
Eu serei vosso romeiro!
- Veste-te de azul,
Que é a cor do céu,
Se Deus te perdoa,
Perdoar-te-ei eu!