Nossa Senhora chamou-me
Translate
sábado, 30 de abril de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
Estou cheia de procurar
Ela - Estou cheia de procurar,
Até que por fim, apareceu!
Só quero que me diga,
Se sabe o que prometeu.
Porque foge assim de mim,
Diga o mal que lhe fiz eu!
Ele - Pergunta-me quanto eu te devo,
Para assim ser perseguido,
Eu ando por onde eu quiser,
Ninguém tem nada comigo!
Eu cá aturar mulheres,
Será um grande castigo!
Ela - Chama-lhe agora castigo,
Eu é que estou castigada,
O tempo em que eu era um anjo,
Como você, me chamava,
Não tinha tanto defeito,
Nem era tão desprezada!
Ele - Não eras, tão desprezada,
Não há mal que sempre dure,
Ao homem tudo lhe é dado,
Por mais, que prometa e jure.
Eu cá aturar mulheres,
Quem as tem que as ature!
Ela - Talvez não lhe calhe assim,
Talvez terá de aturar,
Iludiu-me enquanto pode,
Tudo só para me enganar!
Se você não casar comigo,
Agora vou-me queixar!
Ele - Faz as queixas que quiseres,
Que ades ter bom resultado,
O maior gosto que tenho,
É não te ter difamado.
Publica a tua vida,
Qua ades ter bom resultado.
Ela - Tu queres que agora encubra,
Coisa que não pode ser,
O povo fala de mim,
A barriga está a crescer!
Quando o meu pai souber,
Onde eu me hei-de esconder?
Ele - Esconde-te mesmo em casa,
Que um pai tudo esquece,
Não és a primeira filha,
Que tal coisa lhe acontece!
O ódio de pai e mãe,
Em pouco tempo se esquece.
Ela - Não é um pai como eu tenho,
Que perdoa, tais castigos.
Muito meigo e caprichoso,
Respeitado por bons amigos,
Antes eu quero morrer,
Que isto lhe chegue aos ouvidos!
Ele - Pois faz lá o que quiseres,
Eu por mim, nada farei,
Foi gosto de nós dois,
Tu gostaste e eu gostei!
Não tinha mais que te dar,
Tudo que tinha te dei.
Ela - Não te estou a procurar,
Agora temos que as ter,
Soubeste o mal que fizeste,
Cumpre agora o teu dever!
Eu deito-me da ponte a baixo,
Se tu não me receberes!
Ele - Cuidado no que vais fazer,
A ponte tem muita altura,
Do dizer, para o fazer,
Muda muito de figura!
Não precisas para morrer,
De uma tão funda, sepultura!
Ela - Julgas que não sou capaz,
De me deitar a afogar?
Espera mais um mês ou dois,
Se te queres desenganar!
Alguém deixará escrito,
Cartas que te vão condenar!
Ele - Isso não o quero eu!
Prometo casar contigo!
Espera mais um mês ou dois,
Que ainda não estou prevenido!
Se o teu pai o souber,
Faça as contas comigo!
Ela – Nada mais estou a temer,
Quando o meu pai o souber!
Pois como tenho a certeza,
Que vou ser tua mulher,
Com coragem e paciência,
Sofrerei quanto puder!
Ele - Não temos mais que falar,
Temos tudo combinado,
Eu juro ser teu marido,
Brevemente serei casado!
Tens pai para dar ao filho,
No dia do baptizado!
segunda-feira, 14 de março de 2016
Laurinha do Cruzeiro
A Laurinha
do cruzeiro,
Toca melhor
que um gaiteiro,
Flauta lisa
e trompete!
Á dias foi
apanhada,
Em
fraldinhas de camisa,
A tocar
clarinete!
Um dia
disse-lhe à mãe:
- Que linda
embocadura tem,
Sua Laurinha
de Matos!
Toca pífaro
e concertina,
Também toca
ocarina,
Toca bombo e
bate pratos!
Há dias foi
convidada,
Para tocar
numa tourada,
Onde havia
grande chinfrim!
Ao virar
numa esquina,
Tira a mão
da concertina,
Põe-se a
tocar flautim!
Chegou então
o saloio,
Deitou-lhe
as mãos ao harmónio,
Mas com uma
grande pinta!
Vejam então
que disparate!
Vá lá
apalpar os tomates,
Que você já
tem na quinta.
Destinos
Numa aldeia Alentejana,
Onde o sol faz maravilhas,
Uma formosa cigana,
Teve a maior dor humana,
E deu à luz duas filhas.
Ambas de rosto divino,
Muito iguais fisicamente,
De olhar doce e peregrino,
Por capricho ou destino,
Tiveram sorte diferente!
Pobre vítima do amor!
Que nunca se julga farto,
Espalhou no mundo horror,
Após uma imensa dor,
Tombou-a morreu do parto!
O prior da freguesia,
Velhinho de alma bondosa,
Baptizou-as certo dia,
A uma pôs Rosa Maria,
À outra Maria Rosa.
Rosa Maria pastora,
Ficou junto do rodil,
Muito pobre e sonhadora.
Enquanto a outra, uma senhora,
Levou-a para o Brasil.
O Padre da freguesia,
Velhinho de alma piedosa,
Disse à Rosa Maria:
- Recebi com alegria,
Carta da Maria Rosa!
Depois da carta ouvir ler,
A pobre Rosa Maria,
As mãos à carta deitou,
Em pedaços a rasgou,
Mesmo ali na sacristia.
- Meu Deus para quê tanta maldade!
- Tu não tens religião,
Diz o padre: - és invejosa!
-Tens ódio à Maria Rosa,
- Porque ela é rica e tu não!
Ajoelha a moça a tremer,
- Perdão bom padre, se eu pequei!
- Eu não me pude conter,
- Porque ela sabe escrever,
- Meu bom padre eu não sei!
quinta-feira, 3 de março de 2016
PROJECTO 1310
Luciano Ferreira - "Albaninha"
Gravado a 14 de Março de 2015 em Nuzedo de Cima, Tuinzelo, Vinhais, Bragança, Trás-os-Montes
Realização: Tiago Pereira
Som: Telma Morna
Produção: Roberto Afonso
Apoio: Câmara Municipal de Vinhais
Video: https://vimeo.com/143993697
Subscrever:
Mensagens (Atom)











































