O Segador
Dia vinte e três de Julho,
Este caso aconteceu,
Um rapaz novo de Alvites,
Em Vale de Nogueira morreu.
Era um triste segador,
Dinheiro vinha ganhar,
Por causa da má mulher,
Sua vida foi deixar.
Maria Pereira, Maria Pereira,
Tu tens má opinião,
Matas-te um rapaz novo
Não te dói o coração.
Adeus, adeus bons amigos,
Amigos do coração,
Vós ides para a minha terra
Eu fico aqui no chão.
Adeus, adeus bons amigos,
Amigos da minha vida,
Aquém deixo o meu dinheiro,
À minha filha Maria.
Disses-te adeus até logo,
Ainda não voltas-te a vir,
Matas-te um rapaz novo,
Ainda te ficas-te a rir.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Canção do Augusto
Dia vinte e dois de Abril,
Um dia tão nomeado,
Perfeito matou Augusto,
Sendo ele tão educado.
Passou por ali Germana,
Viu Perfeito encostado,
Não vás por aí Augusto,
Que vais a ser degolado.
Augusto tornou resposta,
Não importa não faz mal,
O dia que eu morrer,
Digo adeus a Portugal.
A mulher que o viu matar,
Era uma mulher viúva,
Não lhe batas mais Perfeito,
Que esse já vai para a sepultura.
Dia vinte e dois de Abril,
Um dia tão nomeado,
Perfeito matou Augusto,
Sendo ele tão educado.
Passou por ali Germana,
Viu Perfeito encostado,
Não vás por aí Augusto,
Que vais a ser degolado.
Augusto tornou resposta,
Não importa não faz mal,
O dia que eu morrer,
Digo adeus a Portugal.
A mulher que o viu matar,
Era uma mulher viúva,
Não lhe batas mais Perfeito,
Que esse já vai para a sepultura.
Antoninho
Antonino lindo nome,
Linda cara é a tua,
Não tens pêra nem bigode,
Para passear na rua.
Antonino lindo nome,
Lindo espelho de vestir,
Quem tem amores com Antónios,
Vai ao céu e torna a vir.
Todos os Antónios são santos,
Só o meu foi pecador,
Só a mim me havia calhar,
António ser meu amor.
Adeus ó casa da aula,
Ó casa da maldição,
Mataram o Antoninho,
Um rapaz de educação.
Idalina
Idalina do Algarve,
Idalina do Algarve,
Morreu numa noite escura,
Rapazes e raparigas,
Rapazes e raparigas,
Vinde ver a sepultura.
Minha mãe, vou para a horta,
Minha mãe, vou para a horta
Vou para a horta vou morrer,
Quando eu lhe disser adeus,
Quando eu lhe disser adeus,
Não me volta mais a ver.
Já o Mundo murmurava,
Já o Mundo murmurava,
E ela sem nada saber,
Uma amiguinha das suas,
Uma amiguinha das suas,
A chorar lhe foi dizer.
Idalina não te mates,
Idalina não te mates,
Num poço de tanta altura,
Não queiras ser enterrada ,
Não queiras ser enterrada ,
Em tão funda sepultura.
Idalina do Algarve,
Idalina do Algarve,
Morreu numa noite escura,
Rapazes e raparigas,
Rapazes e raparigas,
Vinde ver a sepultura.
Minha mãe, vou para a horta,
Minha mãe, vou para a horta
Vou para a horta vou morrer,
Quando eu lhe disser adeus,
Quando eu lhe disser adeus,
Não me volta mais a ver.
Já o Mundo murmurava,
Já o Mundo murmurava,
E ela sem nada saber,
Uma amiguinha das suas,
Uma amiguinha das suas,
A chorar lhe foi dizer.
Idalina não te mates,
Idalina não te mates,
Num poço de tanta altura,
Não queiras ser enterrada ,
Não queiras ser enterrada ,
Em tão funda sepultura.
Ermelinda
-De onde vens ó Ermelinda,
De onde vens, tão orvalhada,
Com o cabelo aos anéis,
E a face desmaiada.
Com a face desmaiada,
Isto é de não dormir,
Se alguma coisa houver,
Eu hei-de a encobrir.
O malvado do irmão,
Ao seu pai lho foi contar,
À sala dos estudantes,
Aonde ele a estava a esperar.
Mandou chamar alfaiate,
Dos melhores mestres que havia,
Faz favor de examinar,
A saia da minha filha.
A saia da sua filha,
Ela não está mal talhada,
O defeito que ela tem,
È a barriga inchada.
Prepara-te ó minha filha,
Prepara-te bem preparada,
Amanha por esta hora,
Vais ser morta, és queimada.
O carro que vai na estrada,
Com aceno já parou,
A menina que vai dentro,
Ainda se não confessou.
Apareceu ali um padre,
Que sua missa ia rezar,
Venha cá essa menina,
Que a quero confessar.
Venha cá essa menina,
Que a quero confessar,
Estou aqui neste momento,
Duas almas vou salvar.
-De onde vens ó Ermelinda,
De onde vens, tão orvalhada,
Com o cabelo aos anéis,
E a face desmaiada.
Com a face desmaiada,
Isto é de não dormir,
Se alguma coisa houver,
Eu hei-de a encobrir.
O malvado do irmão,
Ao seu pai lho foi contar,
À sala dos estudantes,
Aonde ele a estava a esperar.
Mandou chamar alfaiate,
Dos melhores mestres que havia,
Faz favor de examinar,
A saia da minha filha.
A saia da sua filha,
Ela não está mal talhada,
O defeito que ela tem,
È a barriga inchada.
Prepara-te ó minha filha,
Prepara-te bem preparada,
Amanha por esta hora,
Vais ser morta, és queimada.
O carro que vai na estrada,
Com aceno já parou,
A menina que vai dentro,
Ainda se não confessou.
Apareceu ali um padre,
Que sua missa ia rezar,
Venha cá essa menina,
Que a quero confessar.
Venha cá essa menina,
Que a quero confessar,
Estou aqui neste momento,
Duas almas vou salvar.
Margarida
Boa-noite ó Margarida,
Malvada mulher mundana
Corta o pescoço ao marido,
Estava deitado na cama.
Causa-me admiração,
Em te ver aqui sozinha,
Já me diz família minha,
Boa-noite ó Margarida.
Boa-noite ó Margarida,
Boa noite ó regedor,
Mataste o teu marido,
Já lhe não tinhas amor.
Boa-noite ó Margarida,
Para ti não há perdão,
Mataste o teu marido,
Vais acabar na prisão.
Causa-me admiração,
Por andares na má vida andar,
Mãezinha do coração,
Tens pão e não mo queres dar.
Germano
Dia vinte e dois de Abril,
Dia de tanta desgraça,
Este crime praticou,
Este crime praticou,
O Domingos da Lampaça.
Vinha com Germano Augusto,
De chaves de companheiro,
Logo lhe atirou um tiro,
Logo lhe atirou um tiro,
Para lhe roubar o dinheiro.
Germano depois de ferido,
Ainda mostrou cara dura,
O dinheiro não to dou,
O dinheiro não to dou,
Antes te entrego a mula.
Um homem que aquilo ouviu,
Atirou um tiro ao ar,
E foi o que lhe valeu,
E foi o que lhe valeu,
Para Germano se salvar.
Chorava a família toda,
Chora que até mete pena,
Quem me pôs nesta desgraça,
Quem me pôs nesta desgraça;
Foi o domingos da Helena.
Dia vinte e dois de Abril,
Dia de tanta desgraça,
Este crime praticou,
Este crime praticou,
O Domingos da Lampaça.
Vinha com Germano Augusto,
De chaves de companheiro,
Logo lhe atirou um tiro,
Logo lhe atirou um tiro,
Para lhe roubar o dinheiro.
Germano depois de ferido,
Ainda mostrou cara dura,
O dinheiro não to dou,
O dinheiro não to dou,
Antes te entrego a mula.
Um homem que aquilo ouviu,
Atirou um tiro ao ar,
E foi o que lhe valeu,
E foi o que lhe valeu,
Para Germano se salvar.
Chorava a família toda,
Chora que até mete pena,
Quem me pôs nesta desgraça,
Quem me pôs nesta desgraça;
Foi o domingos da Helena.

Costureira
Trabalhava a costureira,
A noite inteira,
Sem perder tempo,
Para deixar concluído,
O seu vestido,
Para o casamento.
Ela como não sabia,
Ai que ele outra,
Tinha enganado,
Ela logo lhe jurou,
Assim se passou,
Foi premeditado.
Entrou para o seu quarto,
Ela por dentro,
Fechou a porta,
Tiveram de a arrombar,
E foram dar ,
Com ela já morta.
Em cima da cabeceira,
Foram encontrar,
Uma carta feita,
Eu não era,
Merecedora,
De receber,
Tua mão direita.
Está o enterro
A passar,
E muita gente,
Sai à janela,
Deitavam cravos e rosas,
Rendas prendosas,
Para cima dela.
Ela deixou muita pena,
Porque era bonita,
E ainda era nova,
Ela tinha ,
Muitos vestidos,
O mais bonito,
Levou-o par a cova.
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