segunda-feira, 15 de junho de 2015

A tia Miséria

Vivia a Tia miséria,
Muito bem que ela vivia,
Na sua humilde casinha,
Sem qualquer companhia.

Vivia a tia miséria,
Na sua velha casinha,
Vivia feliz e contente,
Sendo ela pobrezinha.

Nunca pensou em ser rica,
A riqueza odiava,
Dizia para toda a gente,
Que a pobreza a contentava.

Tinha só uma pereira,
Que ela muito estimava,
Quer de dia quer de noite,
As suas pêras guardava.

Tinha só uma pereira,
Uma árvore frondosa,
Quando lhe roubavam as pêras,
Ficava muito queixosa.

Ficava muito queixosa,
E levava muito a mal,
Para quem lhe roubasse as pêras,
Da pereira do quintal.

Um dia estava em casa,
E bateu-lhe à porta um pobre;
Tia miséria dê-me pão,
Que eu venho cheio de fome.

Ela ao ver o pobrezinho,
Cheio de fome e a tremer,
Deu-lhe todo o pão que tinha,
Em casa para comer.

O pobre agradeceu-lhe,
Com uma voz rouca e gaga,
Faça-me lá um pedido,
Que será recompensada.

Se me quer dar um desejo,
Um desejo lhe vou pedir:
Que quem subir a minha pereira,
De lá não possa sair!

Tia Miséria adormeceu,
E quando ela acordou,
Veja o que ela viu,
Quando para a pereira olhou.

Avistou três rapazolas,
Na pereira a gritar,
Tia miséria, perdão, perdão,
Venha-nos daqui tirar.

Tia miséria venha cá,
Venha a correr,
Tire-nos da sua pereira,
Deixe-nos dela descer.

Toda a gente vai ver,
Esta vossa brincadeira,
Quem vinha roubar as pêras,
Pêras da minha pereira.

Não faça isso tia miséria,
A senhora não seja má,
Deixe-nos ir lá embora,
Prometemos não voltar cá.

Se prometem não voltar cá,
Para as minhas pêras comer,
Podem-se ir embora,
Podem da pereira descer.

Outro dia estava em casa,
À sua porta bateu,
Uma senhora de preto.
Que muito a entristeceu.

Perguntou-lhe a tia miséria:
Que fazes neste lugar?
Olha que eu sou a morte,
E estou aqui para te levar.

Ela cheia de medo,
Começou logo a tremer!
Tenha pena e dó de mim,
É cedo para eu morrer!

É chegada a tua hora,
Aqui não podes ficar,
Eu tenho de me ir embora,
Comigo te vou levar!

Vou-te fazer um pedido,
Que bem mo podes fazer,
Sobe a minha pereira,
Quero aquela pêra comer.

É a última pêra,
Que a minha pereira tem,
Depois da pêra comer,
Parto feliz para o Além.

A morte com muita fé,
Á pereira logo subia,
Depois de lhe dar a pera,
A morte de lá não saía.

A morte pôs-se a gritar,
Sem saber o que fazer,
Tia miséria tire-me daqui,
Eu não consigo descer!

Vais ficar aí para sempre,
Porque eu não quero morrer,
Bem sabes que neste mundo,
Sou feliz sem nada ter.

A morte estava presa,
Tristonha como ninguém,
A gente estava feliz,
Pois não morria ninguém.

Há porta da tia miséria,
Estavam padres a reclamar,
Que não ganhavam dinheiro,
Não havia mortos para enterrar.

Juízes e escrivães,
Apareceram lá aos centos,
Que não ganhavam dinheiro,
A escrever testamentos.

Tia miséria solte a morte,
Bom pago lhe vamos dar,
Pois a morte para sempre,
No mundo a vai deixar.

A morte disse à miséria,
Com um lamento profundo,
Para sempre e toda a vida,
Vais continuar neste mundo.

A miséria agradeceu,
Á morte muito contente,
Obrigada boa amiga,
Viverei eternamente.

A miséria está presente,
Presente no mundo inteiro,
Vive feliz e contente,
Não tendo pão nem dinheiro.

Por todo o mundo anda,
A miséria disfarçada,
Vive feliz e contente,
Sem medo de ser roubada.

Por isso minha gente,
Neste mundo vão encontrar,
Sempre quem sofra muito,
Por a tia miséria cá ficar.

Com este vou terminar,
Com este chego ao fim,
Se alguém a miséria encontrar,
Não lhe falem mal de mim.

Ferreira Augusto

terça-feira, 2 de junho de 2015

Participação no programa da RTP2 - Povo que ainda Canta realizado em várias aldeias de Vinhais
É bom não deixar esquecer a cultura popular do povo, com estas iniciativas/programas mantém-se viva a cultura tradicional portuguesa!
Parabéns ao realizador e que possa realizar mais programas na nossa zona!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Após um longo trabalho nasceu finalmente o CD do Grupo Cantares de Antanho, aqui ficam algumas fotografias do exemplar:





segunda-feira, 27 de abril de 2015

Alargamento do Território Português

Afonso Henriques defendia,
Seu condado, seu tesouro,
Pensou alargar o seu espaço,
Para além do rio Douro.

Para além do rio Douro,
Começou terras a conquistar.
Defendendo o seu tesouro,
E o espaço a alargar.

Afonso Henriques temível,
Dos mouros não tinha medo.
Alargou o seu território,
Para além do rio Mondego.

Caminhava para Sul,
Ninguém o conseguia travar,
Passou Leiria e em Ourique,
Foi forte o batalhar.

Guimarães foi capital,
Afonso Henriques, ai morou,
Para conquistar Leiria,
Para Coimbra se mudou.

O tratado de Zamora,
Em mil, cento e quarenta e três
Reconhece a independência,
Do reino português.

Em mil cento e quarenta e três,
Como reza a tradição,
Foi condecorado rei,
E chefe desta Nação.

Afonso Henriques era cristão,
Cristão eram os seus cavaleiros,
Muitas terras e riquezas,
Deu a igrejas e mosteiros.

Em mil cento e setenta e nove,
O papa Alexandre terceiro,
Reconheceu então,
Portugal como reino.

A bula manifestis provatus,
Um documento papal,
Reconhecia então
O reino de Portugal.

Afonso Henriques, foi
Homem culto, rei lutador,
Por conquistar terras aos mouros,
Ficou o conquistador.

Os homens de Afonso Henriques,
Usavam a táctica do assalto,
Para defenderem o espaço,
Erguiam castelos altos.

Não quis parar por aqui,
Afonso quis ir mais além.
Em mil cento e quarenta e sete,
Conquista Lisboa e Santarém.

Lisboa estava com os Mouros,
Quem havia de derrotar?
Foi El rei D.Afonso Henriques,
E os cruzados a ajudar.

Os mouros ele derrotou,
Com a ajuda dos cruzados,
Ingleses e normandos,
Que no Tejo estavam armados.

Lisboa esteve cercada,
Durante três meses e tal,
Os mouros pediram tréguas,
Lisboa ficou a capital.

O Tejo corria largo,
As ondas sempre a bater,
Mas os homens de Afonso Henriques,
Souberam esses perigos vencer.

Chegados à outra margem,
Abriu-se nova janela,
Em pouco tempo conquistaram,
Setúbal, Almada e Palmela.

Houve avanços e recuos,
Para conquistar terras,
Entre mouros e cristãos,
Houve batalhas e guerras.

Houve avanços e recuos,
Ninguém queria temer,
Muitas terras conquistavam,
Para voltar a perder.

O rei Afonso Henriques,
Tinha a anciã de conquistar,
Pensava expulsar os mouros,
Para terras além do mar.

Os mouros ele derrotou,
Vitória após vitória.
A Afonso Henriques se deve,
Pedaços da nossa história.

Em mil cento, e oitenta e cinco,
Morreu o nosso rei primeiro,
Sucedeu-lhe seu filho Sancho,
Por ser legitimo herdeiro.

Ferreira Augusto

quarta-feira, 8 de abril de 2015

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Romance do Gerinaldo

 

terça-feira, 3 de março de 2015